quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Das coisas que sou


Nada mais apropriado para iniciar a divagação do que citando a maravilhosa Clarice Lispector: Sou composta por urgências minhas alegrias são intensas e minhas tristezas absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.” Quando li tal descrição, um certo arrepio espalhou-se com tamanha rapidez por meu corpo que fora inevitável não se assustar. Identificação imediata. Uma estranha sensação de que alguém, um dia, em outro tempo, havia partilhado dos mesmos medos, neuroses, indagações, pensamentos esdrúxulos, sentimentos – dentre outras loucuras íntimas – me foi imposta afoitamente.

Extremos. Não existe vocábulo para melhor me descrever do que este. Nada me é suficientemente saciável se não me for apresentado em uma quantidade abusiva. Refiro-me aqui as mais diversas coisas, porém, existem certos itens que me devem ser oferecidos em abundância. Do contrário, as consequências serão temerosas. E quando falo em temerosas, falo em choradeiras, ânsias e sofrimentos.

Sou naturalmente complexa, um mistério inclusive a mim mesma – parafraseando novamente Clarice. Portanto, por mais altruísta que eu seja (ou tente ser), é uma tarefa árdua tentar decifrar seres tão complexos quanto eu. A dúvida de se as coisas estão realmente fluindo como deveriam estar estará sempre pairando em meus constantes devaneios. Tudo porque não me contento com pouco. O ínfimo não me atrai. O raso não me convence. O fácil não me seduz. Necessito ser extremamente lembrada de que existem pessoas ao meu redor que se sentem lisonjeadas de me terem em suas vidas. Necessito ser extremamente amada. Necessito ser extremamente feliz, extremamente triste, extremamente paradoxal. Tudo é pouco.

Alguns me chamam de exigente, e não lhes tiro a razão. Tenho consciência de minhas vontades e realizações. Não abandonarei minhas convicções, mesmo que para isso algumas lágrimas tenham de correr hora e outra.


Há uma incerteza sobre o que me será proporcionado e, sinceramente, isso me fascina...

2 comentários:

  1. Demorou mas valeu a pena amor! Muito, muito bom meesmo, muito tri a clareza que tu transmite sentimentos (características?) tão intensos em um texto só, parabéns de novo! :)
    aah, te amo umontão!

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